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‘Nunca pensei que fosse sair do meu país por fome’, diz chef de cozinha

‘Nunca pensei que fosse sair do meu país por fome’, diz chef de cozinha - Otávio Sá Leitão

“Nunca pensei que fosse sair do meu país por fome.” O desabafo vem do chef de cozinha Alberto Alvarez, para quem o alimento sempre representou mais do que um meio de subsistência — era seu principal instrumento de trabalho.

Hoje, sua rotina contrasta em tudo com a carreira que construiu na Venezuela. O portorriquenho de 60 anos que adotou o País vizinho como lar agora passa os dias vagando pelas ruas de Boa Vista em busca de emprego e alimentos para a família.

Alvarez cursou gastronomia em Montreal, no Canadá, fez especialização em Lyon, na França, e trabalhava em um restaurante badalado de Caracas, na Venezuela, onde escolheu fincar suas raízes com a esposa e os 2 filhos, hoje com idades entre 6 e 8 anos.

“Até que faltou tudo e eu precisava dar um jeito. Resolvemos vir para o Brasil e recomeçar do zero”, contou à reportagem do HuffPost Brasil.

“Quando falta comida, não adianta saber manipular os alimentos, falar inglês e francês ou ter boas memórias do passado”, diz.

Quando falta comida, não adianta saber manipular os alimentos, falar inglês e francês ou ter boas memórias do passadoAlberto Alvarez, chef de cozinha

Hoje, ele e sua família vivem de favor em uma casa de conhecidos em Roraima. Chegaram ao Brasil no início do ano, ficaram 3 meses em Pacaraima, cidade brasileira mais próxima à divisa, até que o chef se tornou amigo de um militar que lhe prometeu apoio em Boa Vista.

Eventualmente, Alvarez consegue algum trabalho de serviços gerais, como de pintor. Mas, na maioria das vezes, ele tem que recorrer à solidariedade alheia, em especial, de turistas. Para driblar a fome, pede dinheiro perto de um hotel, próximo a barraquinhas de comidas típicas do Norte, onde as marmitas custam, em média, R$ 5.

O roteiro se repete com boa parte dos venezuelanos que tentam reconstruir suas vidas no Brasil diante da crise em seu País.

Muitos deixam para trás não só a casa, mas também a profissão.

Felizmente, vários encontram brasileiros dispostos a abraçar os recém-chegados.

Nas ruas de Pacaraima e Boa Vista, são comuns histórias de venezuelanos que foram empregados por brasileiros ou contam com apoio dos cidadãos de Roraima.

Os que chegam para ficar

Mesmo com a fronteira oficialmente fechada, os pedidos de refúgio lotam o abrigo que fica em Pacaraima, a 215 km de Boa Vista.

Nos dias menos movimentados, chegam ao local cerca de 350 pessoas. O Acnur (agência da ONU para refugiados), no entanto, já chegou a receber mais de 1.000 pessoas por dia no abrigo.

A estimativa do IBGE mais atual, divulgada em agosto passado, mostrou que, até aquele momento, tinham migrado para o Brasil 30,7 mil venezuelanos. Na mesma época, o Controle Migratório e Estrangeiros da Colômbia informou que o país recebera 870 mil venezuelanos.

A travessia que Alvarez fez para chegar ao Brasil é semelhante à da dona de casa Mayerlin González, 23 anos. Com o filho Ronmer, que tinha apenas 10 meses, nos braços, e o marido, Ronni Villalba, 25 anos, ela viajou por mais de 30 horas. Primeiro, de ônibus. Depois, pela “las trochas”,  como são chamadas as rotas ilegais controladas por grupos armados que são usadas pelos imigrantes para fugir da Venezuela. 

Fonte: Huffpost

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