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QUANDO A PARAÍBA ERA CHAMADA DE "O ESTADO DO PARAHYBA DO NORTE"

QUANDO A PARAÍBA ERA CHAMADA  DE "O ESTADO DO PARAHYBA DO NORTE" - Otávio Sá Leitão

"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina." - CORA CORALINA [pseudônimo da poetisa e contista goiana Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, 1889-1985]

Época houve em que circulou no que é hoje a cidade de João Pessoa, capital da Paraíba, um jornal chamado "Estado do Parahyba" (isto mesmo: "Estado DO Parahyba", e não "Estado DA Parahyba"). Foi também uma época em que o próprio Estado da Paraíba se chamava "Estado DO Parahyba do Norte".

Este fato é conhecido de nossos principais historiadores - mas nem por todos referido. Ocorre que o primeiro governador republicano (então se dizia presidente estadual), Venâncio Neiva, adotou essa designação de "Estado do Parahyba do Norte" em referência ao rio - o rio Parahyba do Norte. Enfim, era como aludisse ao Estado do rio Parahyba do Norte.

TRIBUNAL DO ESTADO DO PARAHYBA DO NORTE
Foi o Dr. Venâncio Augusto de Magalhães Neiva destacado magistrado antes de chegar à mais alta magistratura, isto é, à governança do Estado. Fora, portanto, antes e depois de exercer o Governo estadual, tanto juiz municipal quanto juiz imperial, juiz de Direito e juiz federal - pois havia à época todas essas designações.

Como primeiro governador da Paraíba depois da queda do Império, o Dr. Venâncio foi também responsável pela instalação oficial do Superior Tribunal de Justiça do Estado DO Parahyba do Norte, que assim se chamou, em seus primórdios, o atual TJPB (Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba).

PARAHYBA DO NORTE X PARAHYBA DO SUL
Pela tradição, sempre se disse "Província da Paraíba", eventualmente podendo-se dizer "a Província do (rio) Parahyba do Norte", em contraposição ao rio Parahyba do Sul. Aqui, há que se atentar para duas coisas. Primeiro, temos o rio Paraíba do Sul propriamente dito. O rio Parahyba (antigo rio São Domingos) já era de bem conhecido pelos colonizadores desde o século XVI, tendo a cidade (e a capitania) da Parahyba sido fundada ainda em 1585 (foi a terceira povoação brasileira já criada com o "status" de cidade - e cidade d'el Rei).

Depois, há o município chamado "Parahyba do Sul", uma das cidades pioneiras na região da Serra Fluminense. Mas ela apenas floresceu a partir do século XVIII, com o chamado "Sertão da Parahyba", que de modo algum pode ser confundido com nossa Paraíba. Isto porque o sítio, próximo ao Rio de Janeiro, em que se localiza o atual município de Parahyba do Sul, somente começou a se formar, junto a uma espécie de calmo lago ou venturoso remanso do mui caudaloso rio homônimo (Parahyba do Sul), no ano de 1681, por iniciativa de Garcia Rodrigues Paes, filho do célebre desbravador Fernão Dias Paes Leme, o "Caçador de Esmeraldas" (por sinal falecido naquele mesmo ano de 1681).

PEDRO II DE PORTUGAL & PEDRO II DO BRASIL
O regente (e, a partir de 1683, rei) de Portugal e Algarves, por esse tempo, era Dom Pedro II, o Pacífico (1648-1706), sucessor de seu irmão, o rei Afonso VI e que, evidentemente, não pode ser confundido com o rei brasileiro Dom Pedro II (1825-1891).

Como se vê, este deposto rei brasileiro, Pedro II, faleceria no exílio parisiense em 1891, mesmo ano em que, no então Estado DO Parahyba do Norte, o governador Venâncio Neiva criava e instalava o primeiro Tribunal de Justiça paraibano, justamente chamado, insista-se, de "Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba do Norte".

POR QUE "DO PARAHYBA" E NÃO "DA PARAHYBA"
Num artigo que há tempos escrevemos sobre o desembargador Gonçalo de Aguiar Botto de Menezes, e que acaba de ser republicado pelo notável jornalista paraibano Pedro Manoel Macedo Marinho, sob o título de "O desembargador que por mais tempo serviu ao TJPB", lembramos que esse preclaro Gonçalo de Aguiar foi um dos redatores do jornal "Estado do Parahyba".

Como Vocês já sabem, o jornal assim se chamava ("Estado do Parahyba" e não "Estado da Parahyba") porque a depois denominada "Constituição de Venâncio" dera à antiga Província, agora Estado, o nome de "Estado DO Parahyba", numa referência ao rio do mesmo nome. Era como se dissesse: o Estado do rio Parahyba ou o Estado com o rio Parahyba.

UMA COISA MUDOU, AS OUTRAS TAMBÉM
Consequentemente, pelo menos em três itens houve essa modificação:

1) também por iniciativa do presidente estadual Venâncio Neiva (e com a decisivo e fundamental colaboração do jurista Epitácio Pessoa, futuro presidente da República) foi elaborada e aprovada uma Lei de Organização e Divisão Judiciárias do Estado do Parahyba (era a primeira lei do gênero no Estado - e também nossa primeira LOJE republicana; muitas outras se seguiriam, até os dias atuais);

2) foi criado e instalado pelo mesmo Venâncio Neiva o "Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba", futuro TJPB (Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba); e

3) o jornal republicano "Estado da Parahyba" passou a chamar-se "Estado do Parahyba" (depois da deposição "manu militari" do governador Venâncio Neiva, esse órgão de Imprensa voltaria à antiga designação).

TRADIÇÃO POPULAR VERSUS LETRADOS?!
Basta ler os documentos originais para que todas as dúvidas sejam afastadas. Quanto o então presidente estadual (governador) Venâncio Neiva instituiu e instalou oficialmente a principal Corte de Justiça do Estado, isto é, o Tribunal com a Justiça de segundo grau, de segunda instância, ela recebeu exatamente a designação de "Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba".

Não tive ainda tempo de pesquisar a fundo a questão que agora apresento, qual seja: parecia mesmo haver uma contraposição entre o povo (que preferia a fórmula "Estado da Parahyba do 
Norte" e as classes mais cultas (adeptas da solução "do Parahyba do Norte"), sabendo-se no entanto, que, nos tempos imperiais, dizia-se quase tão somente "a Província DA Parahyba".

ALGUMAS NOVIDADES DE ENTÃO
A "Constituição de Venâncio" entrou em vigor a 5 de agosto de 1891, quando a Parahyba comemorava seus 306 anos de fundação. Com tal Constituição, a primeira de caráter republicano na Paraíba, vieram especialmente:

a) o novel governador (o próprio presidente estadual Venâncio Neiva, eleito com base nessa Constituição, que depois levaria informalmente seu nome: a "Constituição de Venâncio");

b) a Lei de Organização e Divisão Judiciárias; e

c) a criação e instalação do Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba do Norte, como vimos, inclusive com a anterior nomeação dos cinco primeiros desembargadores.

NO EDIFÍCIO DO THEZOURO DO ESTADO
O decreto no 69, assinado em 30 de setembro de 1891, pelo presidente estadual Venâncio Neiva criou, como se viu, o Superior Tribunal de Justiça do Estado DO Parahyba do Norte. No dia 9 de outubro seguinte, Venâncio nomeou os cinco primeiros desembargadores dessa Corte de Justiça superior (de segundo grau de jurisdição). E, finalmente, no dia 15 de outubro do mesmo ano (1891) foi oficialmente instalado esse Tribunal.

Como a Corte nasceu (e permaneceu por muito tempo!) sem uma Casa própria, a instalação se deu na sala de sessões do antigo Congresso do Estado (sim, havia um Congresso estadual!), que funcionava no primeiro andar do velho edifício do Tesouro do Estado. Este prédio ainda hoje existe (tendo sido bastante reformado quando da presidência estadual do infausto governador João Pessoa) e, ficando atualmente entre as praças Pedro Américo e Aristides Lobo, já tendo abrigado o chamado Palácio das Secretarias e sendo em nossos dias a sede do Comando da Polícia Militar do Estado, de cujo Quartel-General é fronteiro, no centro da capital paraibana.

FLÁVIO SÁTIRO & HUMBERTO MELLO
No dia seguinte ao da instalação oficial da Corte, pelo presidente estadual Venâncio Neiva, a Imprensa (como é o caso do jornal "Estado do Parahyba", edição de 16 de outubro daquele ano de 1891) noticiou o fato, referindo-se exatamente a isto: "Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba do Norte". De tais coisas sabem muito bem notáveis historiadores paraibanos, como é o caso de nosso principal especialista em História Política, o acadêmico Humberto Cavalcanti de Mello, também integrante do vetusto IHGP (Instituto Histórico e Geográfico Paraibano) e autor de vários livros que honram a melhor Historiografia do Nordeste brasileiro.

Também não é preciso explicar isto a outro notável historiador paraibano Flavio Satiro Fernandes igualmente acadêmico, membro do IHGP, constitucionalista, autor de inúmeros livros de renome nacional, poeta, romancista, contista e tudo o mais.

QUEDA DE VENÂNCIO E DISSOLUÇÃO DO TRIBUNAL
Cerca de quatro meses depois da instalação oficial do Tribunal paraibano, registrou-se, em termos nacionais, a substituição do primeiro presidente da República republicano, o marechal Deodoro da Fonseca, pelo marechal Floriano Peixoto (que até então era seu vice-presidente).

Aí o Poder na Paraíba também caiu: o presidente estadual Venâncio Neiva viu-se deposto pelo então coronel (e depois general) Cláudio do Amaral Savaget, em episódio que envolveu cenas dramáticas e que obrigaram o governante a se retirar para o Sudeste do país.

Foi derrubado também o vice-presidente do Estado, que, por sinal, era também desembargador - e, só por acaso, presidente do recém-instalado Superior Tribunal. Tratava-se do desembargador Manoel da Fonseca Xavier de Andrade, que emitiu nota de protesto, sem que isto de nada adiantasse, vez que voltou a ser juiz e não mais retornaria à Presidência da Corte, nem mesmo a seus quadros.

QUEM ERA O CORONEL SAVAGET
O coronel Savaget, que veio comandar a Guarnição Federal local e que logo depôs os governantes estaduais, fechou a Assembleia, dissolveu o Tribunal e praticou outras arbitrariedades, foi o mesmo militar que, bem depois, se tornaria nacionalmente conhecido por sua participação no cerco, em Canudos, Bahia, ao arraial do fanático milenarista Antônio Conselheiro...

Na Parahyba do século XIX, o desmonte do governo de Venâncio Neiva foi sendo feito por etapas, entre fins do ano de 1891 e inícios de 1892: destituição do governador; fechamento do Legislativo; revogação do texto constitucional, da lei de organização judiciária e de vários outros diplomas legais, inclusive decretos; exoneração dos desembargadores, alguns dos quais voltaram a ser juízes; dissolvição do Tribunal...

O PRECLARO DEDO DE EPITÁCIO PESSOA
A Constituição venancista era tão bem feita, para a época (mesmo porque contara com o dedo do futuro ministro do Supremo e também futuro presidente da República Epitácio Pessoa), que, mesmo tendo sido rasgada pelo florianismo do coronel Savaget, foi amplamente utilizada pelo novo presidente estadual, Álvaro Lopes Machado (indicado pelo regime já comandado pelo "Marechal de Ferro", Floriano Peixoto) para que se elaborasse a nova Constituição - a segunda Constituição republicana, em que o "Estado do Parahyba do Norte" voltava a ser "Estado da Paraíba do Norte".

O Superior Tribunal também foi reconstituído, só que com nova composição e um novo presidente, deixando igualmente de ser DO Parahyba para chamar-se simplesmente DA Parahyba. Venâncio Neiva, do PMB (Partido Moderador Brasileiro) governara o Estado do Parahyba do Norte, na prática, de 16 de novembro de 1889 até a data de 27 de novembro de 1891.

AINDA SOBRE VENÂNCIO NEIVA
Indicado pelo Governo Provisório que assumira o Poder, no Brasil, logo depois da derrubada da Monarquia, o magistrado Venâncio Augusto de Magalhães Neiva fora nomeado para dirigir o Governo paraibano, como primeiro presidente estadual da fase republicana (pós-Império), no primeiro dia de dezembro de 1889, vale dizer, pouco depois da Proclamação da República.

No entanto, ele só tomaria posse no dia 6 seguinte. Depois de haver exercido a Presidência estadual como governante provisório, Venâncio foi de fato eleito presidente estadual, no dia 25 de junho de 1891, com base na primeira Constituição paraibana recém-aprovada pelo Legislativo de então. Na ótica "oficial", para constar, ele se afastara "espontaneamente" do Governo parahybano no dia 1º de janeiro de 1892, "quando se retirou à vida privada", fora de sua amada Parahyba, pois fora viver na Capital da novel República - o Rio de Janeiro.

JUNTA GOVERNATIVA & ÁLVARO MACHADO
Com a derrocada de Venâncio Neiva, assumiu o Governo da Parahyba, em fins do ano de 1891 (mais exatamente em 27 de novembro), uma Junta Governativa. A Junta ficou "tomando conta" do Estado, até o dia 18 de fevereiro de 1892, isto é, enquanto não chegava o novo governante, escolhido a dedo pela nova situação do Governo central.

O triunvirato que se convencionou chamar de Junta Governativa e que derrubara o Governo estadual, sendo a "tróika" presidida pelo coronel Savaget, era composta também pelos civis Eugênio Toscano de Brito e Joaquim Fernandes de Carvalho. O Governo foi por ela assumido em 27 de novembro de 1891, ficando em suas mãos até 18 de fevereiro de 1892, quando passou o Poder às mãos do novo governador indicado pelo Governo central, o engenheiro Álvaro Lopes Machado.

Álvaro Machado, do PSN (Partido Social Nacionalista) governaria de 18 de fevereiro de 1892 a 22 de outubro de 1896 - mas instalaria duradoura oligarquia local, inclusive retornando à curul governamental, para tanto novamente eleito.

VEJA O "ESTADO DO PARAHYBA"
Vamos abrir, aleatoriamente, um número qualquer do jornal "Estado do Parahyba", esse "orgam republicano", digamos a edição da quinta-feira, 17 de setembro de 1891, de pouco antes, portanto, da instalação do Superior Tribunal de Justiça do Estado do Parahyba do Norte.

Trata-se do número 338 do "anno II" de circulação do diário, que mantinha "escriptorio e redacção à Rua da Misericordia, no. 9". A folha avulsa custava 60 reis. Uma assinatura mensal valia 1 mil réis, ao passo que a assinatura anual custava 10 mil réis. A assinatura para os demais Estados e para o interior da Parahyba era assim cobrada: 7 mil réis pelo semestre e 13 mil réis por um ano inteiro. Se Você quisesse publicar um edital, um anúncio etc, pagava 100 réis por cada linha.

ABRINDO PÁGINAS IMPRESSAS EM 1891
Tal número em particular abria sua primeira página com um aviso, todo em negrito, para os assinantes inadimplentes, que sempre os houve, em qualquer época: "Convidamos os nossos assignantes da capital e do interior a que venham quanto antes satisfazer os seus debitos atrazados sob pena de suspendermos a remessa de nossa folha".

Essa "folha", de resto como os demais diários parahybanos, circulava com quatro páginas. Ainda na primeira página, um sinal da sofisticação de certos leitores (ou, pelo menos, de alguns redatores): publicavam-se os capítulos XVI ("O snobismo e os homens de letras") e XVII ("De Alguns Snobs Irlandeses") do famoso "Livro dos Esnobes" (melhor, "Livro dos Snobs", na grafia de então), obra de autoria do escritor britânico Thackeray.

NÃO SE MENCIONAVAM NOMES DE AUTORIDADES!
À página 3 dessa edição, vemos que o sr. Venâncio Neiva ainda é tratado como "juiz", constando o nome dele, na qualidade de cidadão de grande renome estadual, como o primeiro de uma lista de autoridades e personalidades (magistrados, mesários "et alii") escolhidas ("eleitas") para festejarem "nossa ínsita Padroeira Nossa Senhora das Neves no anno compromissal de 1891 a 1892".

Interessante é que, embora sejam listadas diversas providências administrativas, mas sempre do modo mais impessoal, nenhuma página dessa edição há qualquer referência ao "governador do Estado", ao "presidente do Estado" ou a algo assim - mesmo que o magistrado Venâncio Neiva já viesse exercendo o mais alto cargo paraibano teoricamente desde 16 de novembro de 1889, quando fora indicado para conduzir o Estado pelo Poder central, dirigido pelo marechal Deodoro da Fonseca.

DISCREÇÃO QUE SE PERDEU NO TEMPO...
E veja-se que a edição do jornal "Estado do Parahyba" [ver uma das ilustrações anexas] é de 17 de setembro de 1891. Ainda não havia sido instalado o Superior Tribunal (o que somente ocorreria a 15 do mês seguinte) - nem de longe os redatores do diário imaginavam que todo o Governo estadual seria derrubado por um "coup de main" em fins daquele mesmo ano, mais exatamente no dia 27 de novembro!

As referências do jornal às autoridades eram feitas da maneira MAIS DISCRETA possível. Por exemplo, o equivalente hoje ao "Secretário das Finanças" via-se chamado de "o cidadão [termo bem republicano!] inspetor da Thesouraria da Fazenda"; o "secretário da Educação" era o "cidadão director da Instrucção Pública"; o presidente estadual era tratado como "o honrado governador". Evitava-se a todo custo a CITAÇÃO NOMINAL dos ocupantes dos cargos. Isso era bem típico do início da República, em todo o Brasil. Muito diferente do que ocorre hoje, do Oiapoque ao Chuí!...

DO MINISTRO ARARIPE, DO INTERIOR
Na edição do "Estado do Parahyba" do domingo 23 de agosto de 1891, vamos encontrar uma pista da situação então vigente. O ministro do Interior do Brasil, Tristão de Alencar Araripe, que ocupou o cargo entre 22 de maio e 23 de novembro de 1891, enviou ao presidente estadual o seguinte comunicado:

"Ministério dos Negocios do Interior - Rio de Janeiro, 23 de julho de 1891 - Ao Sr. Dr. Venancio Neiva - Accuso o recebimento do officio de 26 do mez findo, em que communicais terdes assumido, na mesma data, o exercicio do cargo de Governador do Estado da Parahyba, para o qual fostes eleito no dia anterior. Congratulando-me comvosco por esse facto, praz-me declarar-vos que o Governo Federal recebeu com viva satisfação a noticia de que esse Estado em breve se achará constituido definitivamente de accordo com as normas republicanas".

EXEMPLOS NOUTROS JORNAIS
Nesses tempos, quase não se pode dizer que o uso da expressão "o Estado do Parahyba do Norte" era mais ou menos generalizado na Imprensa. Na edição de 16 de dezembro de 1896, do jornal "A União", que já (ou ainda?!) utilizava o cabeçalho ou substítulo de "orgam do Partido Republicano do Estado DA Parahyba" (grifo nosso), o então denominado Club Astréa fez publicar a seguinte nota:

"De ordem da Directoria deste club, convido aos Srs. Sócios para se reunirem em Assemblea Geral, pelas 7 horas da noute, do dia 19 do fluente, afim de eleger-se a Directoria que deve funccionar em o anno próximo vindouro. Secretaria do Club «Astréa» no Estado DO Parahyba do Norte, 16 de Dezembro de 1890, o 1.° Secretario, A. L. Mindêllo."

POVO VERSUS CLASSES CULTAS
As duas formas coexistiam. À página 4 da edição d terça-feira, 6 de abril de 1897 do mesmo jornal "A União" (que, como se viu, era o "orgam do Partido Republicano do Estado da Parahyba" e estava em seu número 1.052, "anno V"), a "Fábrica e Depósito Geral Drogaria de Rabello & Londres" anunciava seu endereço, à Rua Maciel Pinheiro, 40, Parahyba [a cidade, a capital], no "Estado do Parahyba do Norte".

Repetia-se quase o mesmo anúncio, em outros termos, na quarta página da edição do jornal "A União" da sexta-feira, 15 de abril de 1898: "Fabrica e Deposito Geral - DROGARIA DE Antônio José Rabello. RUA MACIEL PINHEIRO, N. 40 - Estado do Parahyba do Norte."

JORNAL "A UNIÃO", UM "ORGAM" PARTIDÁRIO
Nessa época, o jornal "A União" era o "orgam do Partido Republicano Federal do Estado DA Parahyba" - o PRF local, portanto, como se lia no cabeçalho do número 1.303, "anno VI", isto é, já em seu sexto ano de circulação (sim, "A União" fora fundada em 1892).

O governo da Parahyba era então exercido pelo "Ex. Sr. Dr. Antonio Alfredo da Gama e Mello, Presidente do Estado". Já se citava o nome do governador, inclusive na "front page"...

UM JORNAL DE APENAS QUATRO FOLHAS
Pegando-se aleatoriamente outra edição do jornal "A União", digamos a da terça-feira, 6 de abril de 1897 ("anno V", número 1.052), vê-se que, ainda na quarta e última página do "orgam do Partido Republicano do Estado DA Parahyba" [grifo nosso], mantinha-se o anúncio dos Rabello & Londres falando em "Estado do Parahyba do Norte". Ah, o jornal circulava apenas com quatro páginas (folhas) e a quarta e última página era geralmente dedicada a anúncios (mais tarde ditos "classificados", porque, nesse tempo, não havia "classificação' alguma).

Na edição de domingo, 14 de agosto de 1898, o mesmo jornal "A União" (anno VI, número 1.391 e "orgam do Partido Republicano Federal do Estado DA Parahyba" [grifo nosso], continuava a ser divulgado o anúncio da "Fabrica e Deposito Geral DROGARIA", já agora de propriedade de Antônio José Mello, à "RUA MACIEL PINHEIRO, No. 40 - Estado do Parahyba do Norte".

ATÉ MEDICAMENTOS VETERINÁRIOS
Ainda aleatoriamente, vamos à edição da sexta-feira, 26 de fevereiro de 1897, do mesmo diário "A União", então em seu "anno V", número 1.024. Na página dos anúncios, logo depois da referência a um "grande remedio!" ("pós para o catharro, tosse e diversas affecções da garganta e dos bronchios", há interessantíssima menção ao "unguento de pés de P. Meré, importante remedio para o tratamento das frieiras, ammolecimento dos cascos, feridas das juntas e das munhécas" - um medicamento veterinário vendido no mesmo depósito da Drogaria Rabello, de Rabello & Londres, à Rua Maciel Pinheiro, 40, Parahyba.

Esse "P. Meré" a que se refere o anúncio é o mesmo "Padre Meré de Chantilly" que elaborara, para o tratamento de animais domésticos pela Medicina Veterinária, o então famoso "unguento vermelho Meré", que, segundo os proprietários da Drogaria de Rabello & Londres, "é o único agente que substitui realmente o fogo para todos os animaes" e "cura radicalmente a sobre-canna, o sobre-nervo, o plan, o esparavão, as brócas, os aristins, manqueiras, feridas da sarneia (Gerimun [sic]), feridas do espinhaço (Bexiga) etc".

UM EDITAL DO PREFEITO DE CABACEIRAS
Já à página 4 da edição da quinta-feira, 3 de abril de 1929 do jornal "A União", autoproclamado no cabeçalho de seu título como "Orgam Official do Estado", vamos encontrar uma espécie de edital feito publicar pela Prefeitura do município de Cabaceiras, publicizando a Lei no. 64, de 11 de novembro de 1929, que orçava a receita e fixava a despesa do referido município para o ano de 1930 (ainda não ocorrera a Revolução desse ano, que somente viria quase um ano depois, em outubro).

Então, "o cidadão Sotero Cavalcante, prefeito do município de Cabaceiras, do Estado DO Parahyba do Norte [grifo nosso], em virtude da lei, etc., Faço saber a todos os habitantes deste município e mais a quem interessar possa, que o Conselho Municipal decretou e eu sanccionei a Lei seguinte:

CAPITULO I - Art. l.º - A despesa do município para o exercido de 1930 é fixada em [tantos mil contos de reis], constituída das seguintes verbas [e vinha a respectiva discriminação, inclusive com a verba de representação do próprio Prefeito, então fixada em 3 mil e 600 contos de réis].

E por aí iam as coisas...

[Também à especial consideração dos Drs. e Dras. Gilson Souto MaiorMaria Ida SteinmullerEdenilza Campos A MendesMarisa de SouzaEdileusa Regina PenaAna SofiaMarilia ArnaudJoão da NóbregaJoão Batista de BritoJoão TrindadeJoca Da CostaThais LeirosAntonia AlonsoVirgolino De AlencarIrio Medeiros da Nóbrega & Giselda Nobrega de LimaIvo Medeiros Nobrega NobregaOtavio Sa LeitaoViomar Sá LeitãoInácio NóbregaInácio Irenaldo Xavier Pimentel XavierMaria Angela Sitonio WanderleyMilton Marques JúniorChico VianaFrancisco PintoLinaldo Guedes, , Juarez FariasJosé Milton Bandeira e Maria Das Graças SantiagoMapê Beiriz CarneiroJoaquim Osterne CarneiroEilzo Nogueira MatosEveraldo Dantas da NóbregaEdivaldo Dantas da NóbregaHeraldo NóbregaAnastacio PereiraUbiracy Vieira VelosoHermano Gomes PimentelHermano José Toscano MouraMarcos PiresLuiz Alberto X. A. Pinto "et alii"]

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Fonte: por Evandro da Nóbrega, escritor, jornalista, editor, membro do IHGP (Instituto Histórico e Geografico Paraibano)

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