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Como você financia o crime organizado e o terrorismo sem saber

Como você financia o crime organizado e o terrorismo sem saber - Otávio Sá Leitão

"Carro com cigarros contrabandeados do Paraguai capotou após perseguição policial em uma estrada rural no Oeste do Paraná. Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

Que vender produtos piratas e fruto do contrabando é crime, todo mundo no Brasil sabe. Mas o que poucas pessoas percebem é que, ao comprar produtos contrabandeados – aqueles que geralmente são mais baratos –, ajudam a financiar facções criminosas, contribuem para a piora da segurança pública no país e podem, ainda, financiar o terrorismo.

 

Em todo o país é possível encontrar produtos trazidos de forma ilegal do Paraguai, por exemplo, para venda no Brasil. As mercadorias variam, de roupas a cosméticos, de cigarros a brinquedos. Como esses produtos não são importados legalmente, acabam livres de impostos, o que os torna mais baratos e mais atrativos para o consumidor final, que muitas vezes não percebe o tamanho do problema que isso gera para a segurança pública. Nesse cenário, o contrabando de cigarros é uma das “estrelas” entre os produtos vendidos ilegalmente no país.

 

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“O cigarro contrabandeado já corresponde a mais de 50% do comércio [no Brasil]. As duas principais marcas são piratas”, confirma o secretário Nacional do Consumidor, Luciano Timm, que atua no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

 

Segundo a Polícia Federal, o contrabando de cigarros tem sido adotado como negócio por facções criminosas que atuam no Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, gerando uma margem de lucro superior à do tráfico de drogas para esses grupos. Estudos internacionais mostram, ainda, que esse tipo de contrabando pode ajudar a financiar organizações terroristas que atuam na tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

 

“Posso dizer que hoje o meio que permite maior lucro às facções criminosas é o contrabando de cigarros. Mais do que drogas”, afirma o delegado da Polícia Federal Luciano Flores de Lima, atual superintendente da PF no Paraná. “ Isso leva também ao aumento da corrupção de agentes públicos, que são mais suscetíveis a ceder a facilitação do contrabando de cigarros dos que ao tráfico de drogas, por exemplo”, afirma.

 

Para a população, também é mais fácil conviver com cigarros contrabandeados do que com as drogas, já que as consequências do contrabando não são vistas de forma tão direta quanto as do tráfico. Mas, segundo Lima, o contrabando também aumenta o cenário de violência no Brasil. “Por trás de cada caminhão de cigarro contrabandeado há um crime de corrupção, há um ato de estar colaborando com o fortalecimento de facções criminosas que atuam também praticando crimes violentos, como latrocínios”, resume o delegado.

 

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“A maioria dos caminhões e veículos em geral apreendidos no contrabando de cigarro são decorrentes de crimes de roubo. O proprietário desse veículo provavelmente morreu em virtude de um assalto ou teve um prejuízo com aquele veículo furtado que está hoje servindo para o transporte de cigarros contrabandeados”, acrescenta Lima.

 

Timm ressalta que ao comprar produtos do contrabando, o consumir acaba alimentando uma cadeia complexa de crimes – que podem ser violentos, muitas vezes. “Hoje a atividade criminosa envolve a prática de uma série de atos, não tem só o assaltante de banco. Muitas vezes o sujeito assalta um banco para financiar outra prática de um crime. Ele não rouba um carro só por roubar um carro, ele rouba um carro para fazer um assalto a banco. Assaltando o banco, ele tem um recurso para importar ou produzir no exterior e distribuir [produtos contrabandeados] aqui”, diz o secretário Nacional do Consumidor.

 

“Quando compramos um produto contrabandeado, nós estamos investindo no crime, estamos financiando o crime”, ressalta Edson Vismona, presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e do Fórum Nacional Contra a Pirataria e Ilegalidade (FNCP).

 

Segundo Vismona, mais da metade do mercado brasileiro de cigarros é dominado por marcas ilegais. “Se você pegar o consumo de cigarro no Brasil, está estável. Mas se você pegar na margem dos produtos mais baratos, o crescimento do ilegal é brutal, eles lideram 54% do mercado brasileiro”, diz.

 

Ainda de acordo com Vismona, o comércio ilícito brasileiro gera um prejuízo de US$ 50 bilhões por ano, entre perdas dos setores e evasão fiscal – o imposto que deixa de ser arrecadado no Brasil. Só o contrabando de cigarros corresponde a US$ 3 bilhões em prejuízo por ano para o país."

 

Fonte: Gazeta do povo

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