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Greenwald será processado como cúmplice dos hackers, é só uma questão de tempo

Greenwald será processado como cúmplice dos hackers, é só uma questão de tempo - Otávio Sá Leitão

Carlos Newton

A decisão do juiz federal Ricardo Leite, do Distrito Federal, que não aceitou a denúncia apresentada pela Procuradoria da República contra o jornalista Glenn Greenwald, foi apenas provisória. O magistrado respeitou uma liminar concedida no Supremo pelo ministro Gilmar Mendes, proibindo que o jornalista fosse investigado e responsabilizado pelas autoridades públicas e órgãos de apuração administrativa ou criminal pela “recepção, obtenção ou transmissão” de informações publicadas na imprensa.

“Deixo de receber, por ora, a denúncia em desfavor de Glenn Greenwald, diante da controvérsia sobre a amplitude da liminar deferida pelo Ministro Gilmar Mendes”, assinalou o juiz Ricardo Leite.

POR POUCO E “POR ORA” – Como se sabe, Greenwald é fundador do site The Intercept Brasil, que publicou uma série de reportagens sobre mensagens trocadas entre o então juiz federal Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol e outras autoridades da Lava Jato.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que o criador do site The Intercept escapou por pouco e “por ora”, mas continua tendo um encontro marcado com a Justiça brasileira. Não vai escapar do processo, até porque não está sendo denunciado por “recepção, obtenção ou transmissão” de informações publicadas na imprensa.

Desta vez, a acusação é muito mais grave do que calúnia, injúria ou difamação, que Gilmar Mendes fez questão de relevar. A denúncia agora é de associação criminosa no esquema envolvendo invasão de celulares e captação ilegal de mensagens de autoridades públicas, como os outros seis envolvidos na investigação da Operação Spoofing, que já estão sendo processados.

LIBERDADE DE IMPRENSA – A liminar que blindou Greenwald teve o claro objetivo de resguardar a liberdade de imprensa e o direito de o jornalista manter sua fonte sob sigilo. Apenas isso, única e exclusivamente.

Portanto, pode-se dizer, sem medo de errar, que o juiz Ricardo Leite foi cauteloso demais, porque na denúncia ficou claro que Greenwald não foi investigado por “recepção, obtenção ou transmissão” de informações sobre diálogos infantis e pouco republicanos travados entre autoridades da Lava Jato.

O problema é que Greenwald foi traído pelo hacker Luiz Henrique Molição, o último a ser indiciado e preso. O fato é que Molicão ficou assustado com as consequências e decidiu fazer delação premiada. E uma das provas que apresentou foi a gravação de uma conversa com Greenwald, que não sabia estar sendo grampeado.

DIÁLOGO INCRIMINADOR – A conversa ocorreu logo após o site The Intercept ter divulgado que o celular do ministro da Justiça, Sergio Moro, havia sido invadido. Segundo o Ministério Público Federal, o hacker Molição ligou para Glenn para saber o que deveria fazer com os arquivos das conversas interceptadas.

Segundo os procuradores, a conversa mostra que Greenwald “sabia que o grupo não havia encerrado a atividade criminosa e permanecia realizando condutas de invasões de dispositivos informáticos e o monitoramento ilegal de comunicações e buscou criar uma narrativa de ‘proteção à fonte’ que incentivou a continuidade delitiva”.

Em um dos trechos do diálogo, o jornalista sugere que o hacker apague as mensagens, “de forma a não ligá-los ao material ilícito, caracterizando clara conduta de participação no delito”, dizem os procuradores.

O trecho que, para o MPF, comprova a orientação que Greenwald deu ao hacker é reproduzido na página 61 da denúncia e está destacado em vermelho. Nele, o jornalista diz: “Pra vocês, nós já salvamos todos, nós já recebemos todos. Eu acho que não tem nenhum propósito, nenhum motivo para vocês manter nada, entendeu?”, diz ele, recomendando que os hackers se livrem das provas, apagando as gravações ilegais que fizeram durante meses.

 

Fonte: TRIBUNA DA INTERNET

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