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Como a Venezuela deixou de ser próspera e se tornou sinônimo de caos e miséria

Como a Venezuela deixou de ser próspera e se tornou sinônimo de caos e miséria - Otávio Sá Leitão

Dono de uma lanchonete no terminal rodoviário de Pacaraima (RR), cidade brasileira mais próxima à Venezuela, Manoel Soares conta que foi há 3 anos e 9 meses que o primeiro venezuelano deixou o país para reconstruir a vida do outro lado da fronteira.

De lá para cá a quantidade de migrantes tem aumentado significativamente e registra um boom sempre que há acirramento da crise política e econômica no país vizinho.

Na terça-feira (30), dia em que o presidente autodeclarado Juan Guaidó convocou os militares para derrubar o ditador Nicolás Maduro, a Casa Civil da Presidência da República informou que entraram no Brasil 848 venezuelanos. Esse número é quase 3 vezes maior que a média diária depois que a fronteira foi fechada em 22 de fevereiro. Desde então, os imigrantes deixam seu país de forma ilegal por rotas clandestinas.

Esse êxodo é resultado de uma combinação de crise econômica e política, agravada no início deste ano com a autodeclaração de Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como presidente do país pouco mais de 10 dias após a posse do segundo mandato de Maduro.

Impacto político

Até então, Guaidó era pouco conhecido e não havia uma força obstinada a retirar o líder chavista do comando do país. O líder oposicionista logo teve sua legitimidade reconhecida por mais de 50 países, incluindo Brasil e Estados Unidos. 

Dono de uma lanchonete no terminal rodoviário de Pacaraima (RR), cidade brasileira mais próxima à Venezuela, Manoel Soares conta que foi há 3 anos e 9 meses que o primeiro venezuelano deixou o país para reconstruir a vida do outro lado da fronteira.

De lá para cá a quantidade de migrantes tem aumentado significativamente e registra um boom sempre que há acirramento da crise política e econômica no país vizinho.

Na terça-feira (30), dia em que o presidente autodeclarado Juan Guaidó convocou os militares para derrubar o ditador Nicolás Maduro, a Casa Civil da Presidência da República informou que entraram no Brasil 848 venezuelanos. Esse número é quase 3 vezes maior que a média diária depois que a fronteira foi fechada em 22 de fevereiro. Desde então, os imigrantes deixam seu país de forma ilegal por rotas clandestinas.

Esse êxodo é resultado de uma combinação de crise econômica e política, agravada no início deste ano com a autodeclaração de Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, como presidente do país pouco mais de 10 dias após a posse do segundo mandato de Maduro.

Crise na Venezuela se agravou após o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se...

Na esteira da autodeclaração de Guaidó, os EUA apertaram o cerco a Maduro pela economia. O país anunciou sanções contra a principal estatal venezuelana, a PDVSA. Responsável pela gestão do petróleo, principal ativo da economia do país, gerando 96% da receita, a PDVESA está com sua capacidade de comercialização limitada. 

Professor do Instituto de Relações Internacionais da USP (Universidade de São Paulo), Pedro Feliú ressalta, entretanto, que a PDVESA já vinha com problemas gerados por falta de investimento da infraestrutura e “inchaço” na empresa, que passou a ser usada também para controle político. Isso resultou em perda de competitividade.

Feliú destaca que na transição do governo de Hugo Chávez para o de Nicolás Maduro, em 2012, o “coração da economia venezuelana” já começava a sofrer com a queda no preço do barril.

“O barril chegou a picos de US$ 135 e hoje é negociado a US$ 71. Para uma economia que tem mais de 90% da produção atrelada ao petróleo, essa queda já significava perda de receita.”

Feliú acrescenta que as dificuldades advindas da comercialização do petróleo atingiram em cheio as importações. “É um país que importa muito alimento, portanto, quando para de receber dólares do petróleo, a moeda começa a desvalorizar.” 

Apesar de pressão, Maduro resiste e diz ter lealdade dos militares para continuar no

Nesse contexto, o governo Maduro adotou controle cambial e impressão da moeda para manter os gastos do governo. A moeda passou a perder valor frente ao dólar, e o país não conseguiu mais importar. A medida explica a inflação de 2.500.000% entre fevereiro deste ano e fevereiro do ano passado, segundo cálculos da Assembleia Nacional.

“É um país completamente dependente. Quando a Venezuela ingressou no Mercosul [em 2006] o principal argumento favorável era de que a Venezuela era um grande importador. Portanto, essa aproximação com o Brasil traria um mercado que não é pequeno”, analisa Feliú.

Impacto social

Tais medidas geraram hiperinflação e desabastecimento no país, afetando toda a sociedade, especialmente os mais pobres. Estimativa da Acnur (agência da ONU para refugiados) indica que mais de 3 milhões de pessoas já deixaram o país. Além do Brasil, os principais destinos são Colômbia e Peru.

De acordo com a edição mais recente do estudo ‘Condições de Vida’, conduzido por 3 universidades renomadas da Venezuela e publicado em julho do ano passado, 87% dos venezuelanos vivem em situação de pobreza e 64% da população perderam em média 11 quilos em 2017.

Do total de entrevistados, 60% disseram que tinham acordado com fome nos 3 meses anteriores e que não tinham dinheiro para comprar comida.

Fonte: By Grasielle Castro

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