Confira os sites mais acessados da Paraíba!

Ranking com credibilidade e confiança!

ACONTECEU EM PIANCÓ. ENCONTRO DE CORRELIGONÁRIOS E ADVERSÁRIOS NA POLÍTICA LOCAL. LEITE/FERREIRA/ PEREIRA/CAVALCANTI/LOPES/LOUREIRO. HOMENAGEM A GIL GALDINO.

ACONTECEU EM PIANCÓ. ENCONTRO DE CORRELIGONÁRIOS E ADVERSÁRIOS NA POLÍTICA LOCAL. LEITE/FERREIRA/ PEREIRA/CAVALCANTI/LOPES/LOUREIRO. HOMENAGEM A GIL GALDINO. - Otávio Sá Leitão

A propósito, recebi, pelo correio nacional, um novo livro do piancoense Franciraldo Loureiro Cavalcanti: “Craíbas ou Caraíbas – A Terra, O Índio, O Mito”. Não tive ainda oportunidade de conhecê-lo (o autor) pessoalmente. Mas sei que ele goza de invejável prestígio pela sua qualificação universitária e intelectual, e reconhecida capacidade como servidor público de mérito inegável, quer como professor quer como técnico e burocrata convocado para cargos de direção na administração estadual. E escritor de mérito ressaltado por Gonzaga Rodrigues, com muitos títulos assinados e publicados. Anteriormente lera e anotara de sua lavra: “Inventariando um acervo: Memorial das Famílias Pereira, Cavalcanti, Lopes e Loureiro”: sempre gentileza de José Octávio de Arruda Melo, da Editora da Unipê, amigo de muitos anos, desde a minha chegada a João Pessoa em 1970. Literatura de família é o assunto dos livros referidos, como se vê pelos títulos. Nada de sentimentos, da alma. O estilo é seco e contido, apuradamente técnico. Piancó é o cenário.
Dá prazer ler os livros de Franciraldo pela qualidade da editoração (com certeza projeto sugerido e acompanhado na sua finalização por ele próprio), pela clareza da exposição fundada na ciência que diz o que vale e o que não vale, criando conceitos, revelando fontes autênticas que envolvem bibliotecas, e as modernas referências bibliográficas disponíveis na internet.


*
A minha família, pelo lado paterno, fixou-se em sesmaria em Piancó, desde os primeiros anos da povoação da Paraíba, ainda propriedade dos Dias D’Ávila, da Casa da Torre, na Baía. Ali morava também, com justo título e boa fé, comcerteza, a família de Franciraldo, pelo lado paterno e materno como ele deixa claro. E não nos conhecemos pessoalmente! Coisas da vida. Militavam as nossas famílias em partidos políticos opostos, freqüentávamos ambientes distintos. Vou deixar bem claro sem ofensa e sem gabolice. Na minha vida jamais passei mais de dois dias em Piancó, pois nasci e fui criado em Sousa onde moro até hoje, e trabalhava profissionalmente como advogado, militava na política local. Em algumas oportunidades afastei-me para o exercício de cargos públicos e de atividades políticas na capital. Piancó só em encontros de família, festas populares, visitas para pedinchar votos nas campanhas políticas. Coisas da vida: uma bebedeira seguida de uma ressaca. Nada mais.
Sou interessado naturalmente por essa literatura que trata das famílias, na sua estruturação e presença em regiões do sertão semi-árido do Nordeste. A minha, mercê de leis demográficas que tratam da movimentação da população, espalhou-se, localizou-se originariamente na cidade de Piancó e Ca-jazeiras na Paraíba, pelo lado paterno, e Mossoró no Rio Grande do Norte e seringal na Boca do Acre no estado Amazonas, pelo lado materno. Mas se entrelaçaram, o meu ramo se fixou em Sousa, e aqui estou.
*
Falava de Franciraldo, de sua família, dos seus livros. Ah! se todos, como ele, assim fizessem. Uma noção mais decente sobre a sociedade brasileira seria adquirida para projetar o seu futuro. O grande Gilberto Freire tratando dos “Sobrados e Mucambos” do Recife, afirma que o Brasil nasce baseado na família externa, patriarcal. E fala na impessoalidade de atores como a senzala e a rua, a igreja e a escola, o hospital, a casa comercial, criando estratos sociais – uma contribuição civilizadora. A mutualidade de que falava Nabuco. Essa conjuminância de fatores e valores familiais, embora deixados de lado nos textos de Franciraldo, afeito exclusivamente a dados e informações concretas sobre pessoas e lugares, permitiu o surgimento de expressivas manifestações e momentos de ascensão, desenvolvimento e melhoramento das instituições privadas educacionais e dedicadas à saúde que os Pereira, Cavalcante, Lopes e Loureiro do Riacho do Boi e das Craíbas criaram, articularam e instalaram na Paraíba. Inegavelmente modernizando-a, destacando-a. 
Outras pessoas, outras famílias agarraram-se às estruturas decadentes em que ainda tropeça a iniciativa no terreno da administração pública, e até em fracassos que minam os serviços, empreendimentos privados. Afundam com elas. Durante certo momento na história política de Piancó, todavia, os Leite se ligaram familiarmente ao ramo de Franciraldo, tanto que, nas 19ª e 20ª. Legislaturas, na Monarquia (1872 a 1875) Piancó teve como deputado seu representante na Assembléia Legislativa o Dr. Manoel Leite C. Loureiro. (Celso Mariz – “Memória comemorativa do sesquicentenário da Assembléia Legislativa”, aumentada e atualizada por Deusdedit Leitão - edição A UNIÃO).
Aqui na fazenda estou a cerca de quatro ou cinco léguas do Riacho do Boi. Não nascem craíbas por aqui. Mas tenho no meu rebanho de gado, cobrindo a vacaria um touro Guzerá PO, cedido por empréstimo pelo meu vizinho e amigo Dr. Zeilton Cavalcanti Lopes (Loureiro), primo de Franciraldo!
Viva Sousa! Viva Piancó! Viva a Paraíba!

Fonte: EILZO MATOS

Comentários