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Servidores devem R$ 222,2 bilhões no crédito consignado, um recorde histórico

Servidores devem R$ 222,2 bilhões no crédito consignado, um recorde histórico - Otávio Sá Leitão

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores públicos estão mais endividados neste ano com o crédito consignado — modalidade de empréstimo com desconto em folha de pagamento. De acordo com dados do Banco Central (BC), a dívida dos aposentados e servidores cresce mês a mês. Dados do Banco Central mostram que as dívidas atingiram R$ 222,2 bilhões somente no crédito consignado, cujas prestações são descontadas no contracheque. Um recorde.

As dívidas dos aposentados e servidores no consignado aumentaram R$ 33,6 bilhões no ano passado. Isso significa dizer que eles contrataram R$ 2,8 bilhões em débitos por mês, na média, ou R$ 133,4 milhões por dia útil. O saldo devido aos bancos no consignado cresceu 17,8% em relação a 2018.

DÍVIDAS EM ALTA – Para se ter uma ideia do apetite  pelo consignado, o aumento das dívidas no ano passado, de R$ 33,6 bilhões, é 46% maior do que todos os débitos dos trabalhadores da iniciativa privada na mesma modalidade de crédito, de R$ 23 bilhões. O que os servidores contrataram em um mês de consignado foi quase todo o aumento do saldo devedor dos trabalhadores do setor privado em 2019: R$ 2,8 bilhões contra R$ 3,4 bilhões.

Segundo os especialistas, essa discrepância ocorre porque os bancos preferem concentrar os empréstimos no serviço público, devido à estabilidade no emprego e ao desconto em folha. Na iniciativa privada, o risco é maior, pois não há restrição para demissões. Nesses casos, o calote é quase certo, porque o Brasil contabiliza hoje quase 12 milhões de desempregados.

SEM CONTROLE – Na Esplanada dos Ministérios, são muitos os relatos de superendividamento dos servidores. “Sabemos de colegas que estão passando por sérias dificuldades por causa do excesso de dívidas. Primeiro, começaram com o consignado. Depois, mergulharam no empréstimo pessoal, no cartão de crédito e no cheque especial”, diz uma servidora do Ministério da Economia.

Para ela, o governo deveria controlar melhor o nível de dívidas contraídas pelos servidores. “Infelizmente, no máximo, o governo só consegue saber o que os funcionários públicos devem no consignado, porque isso está registrado nos contracheques. Mas nem isso é olhado com rigor”, acrescenta a mesma servidora.

Na avaliação de educadores financeiros, é preciso muita cautela na hora de se fazer dívidas, mesmo no caso dos servidores, que têm estabilidade no emprego. Os juros no consignado, por exemplo, são, na média, de 21,4% ao ano para o funcionalismo público. Mas nenhuma carreira está tendo aumento salarial nesta proporção. Os exageros, lembram os especialistas, sempre resultam em calote. Levantamento do professor Ricardo Rocha, do Insper, aponta que o Brasil tem mais de 60 milhões de inadimplentes. Se esse grupo formasse um país, seria maior do que a Espanha ou a Colômbia.

Fonte: TRIBUNA DA INTERNET

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