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Do sertão da Paraíba para o curso de medicina

Do sertão da Paraíba para o curso de medicina - Otávio Sá Leitão

A vida do estudante Diógenes Silva, 17 anos, morador de Sousa, cidade no sertão paraibano, mudou após receber o resultado da primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), divulgado em 28 de janeiro. Diógenes passou em 8º lugar para medicina, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O estudante conta que soube da notícia por meio de um amigo e que, a princípio, não acreditou. “Achei que era brincadeira. Aí, saí gritando dentro de casa”, conta. Quando se deu conta de que realmente havia passado, Diógenes comemorou muito em casa, com a mãe, Raimunda Silva, 56 anos. Ele havia feito o Enem em 2018, mas apenas como treineiro. Em 2019, foi a primeira vez que tentou o exame para conquistar uma vaga na universidade federal.


Diógenes diz que gostava de estudar de madrugada, mas aos domingos ele descansava. Utilizava apostilas cedidas pelos amigos e assistia a videoaulas na internet. De família humilde, Diógenes não tinha condições de pagar cursinho preparatório para o Enem. Na média geral da UFPB, Diógenes somou 743,52 pontos. Na prova de Redação, marcou 900. “Desde pequeno, eu sempre fui fascinado por medicina. Sempre quis algo que causasse impacto positivo na vida dos outros. Não só um emprego para você trabalhar e ganhar dinheiro, mas algo que causasse impacto, que deixasse um legado”, diz.


Filho do meio de Raimunda Silva, empregada doméstica, Diógenes conta que sempre sonhou em cursar medicina, mas que via esse sonho distante por não achar que tinha capacidade para conquistar a vaga. “Quando cheguei ao ensino médio e vi toda a pressão do pessoal que tentava medicina, que estuda muito, eu não tinha esse tempo nem essa disposição. Aí acabei meio que desistindo”, revela. No entanto, quando saíram as notas gerais do Enem, os amigos de Diógenes o incentivaram a tentar medicina. “Eles me disseram para tentar, já que minha nota era alta. E deu certo”, comemora.


A mãe de Diógenes afirma, toda orgulhosa, que o filho sempre foi muito estudioso e dedicado. Ela ainda revela que o rapaz aprendeu a ler cedo, aos 5 anos. “Ele sempre foi um menino muito estudioso, só dava trabalho para sair da cama (de manhã)”, brinca. Após o divórcio com o pai de Diógenes, há 10 anos, Raimunda passou a sustentar a casa sozinha, com o salário de empregada doméstica e fazendo faxina em outros locais para complementar a renda.


Diógenes sempre estudou em escola pública. No ensino fundamental, frequentou a Escola Estadual de Ensino Fundamental Batista Leite, em Sousa. No ensino médio, foi aprovado na seleção do Instituto Federal da Paraíba, Câmpus Sousa. Lá — estudava em período integral no ensino médio e fazia o curso técnico em informática — o instituto tem como diferencial o ensino médio integrado ao curso técnico.


Professor de sociologia no Câmpus Sousa, Pedro Couto deu aulas para Diógenes durante todo o ensino médio. Ele conta que o rapaz sempre se destacou, por ser muito participativo. Couto diz conhecer a realidade de Diógenes, pois conversou com a mãe do estudante. Para o professor, ter o aluno aprovado em uma universidade federal é uma alegria imensa. “É só a concretização da minha crença no poder da educação e da transformação social”, afirma. Ele destaca a importância da conquista para o futuro do ex-aluno: “Pode transformar a vida dele e, consequentemente, da família. Isso é fundamental. Esse é o papel da escola pública de qualidade”, avalia.


Diógenes, que a aprendeu a driblar as adversidades, reflete, emocionado: “Para o pobre neste país, só há uma saída para ter qualidade de vida melhor: o estudo”. O estudante passou pelo sistema de cotas para alunos da rede pública de ensino, de renda familiar de até 1,5 salário mínimo e autodeclaração de preto, pardo ou indígena. Agora, os amigos e os seus familiares estão realizando campanhas nas redes sociais para que o rapaz consiga se manter na universidade, pois ele passou para a UFPB no câmpus da capital, João Pessoa. Diógenes recebeu diversas doações na casa dele mesmo e diretamente na sua conta bancária. “Eu já recebi jaleco, sapato, alguns mantimentos e até um estetoscópio”, agradece.

 

Fonte: contexto exato

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