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Ministro da Saúde ‘dribla’ polêmicas e ajeita a casa. Mas logo terá de mostrar resultados

Ministro da Saúde ‘dribla’ polêmicas e ajeita a casa. Mas logo terá de mostrar resultados - Otávio Sá Leitão

"O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lança Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, durante cerimônia em Porto Alegre. Foto: Ministério da Saúde/Divulgação| Foto: Erasmo Salomao/Ministério da Saúde

Os primeiros meses do Ministério da Saúde do governo de Jair Bolsonaro correram praticamente sem sustos. Ao evitar entrar em polêmicas como alguns de seus colegas de Esplanada, o chefe da pasta, Luiz Henrique Mandetta, passou quase discretamente ao longo deste começo de governo. A discrição o ajudou a "organizar" a casa e a lançar algumas ações. Mas especialistas em saúde afirmam que é preciso que ele logo comece a apresentar mais resultados concretos numa das áreas mais sensíveis da gestão pública – na qual a expectativa da população é alta.

 

Um possível momento crítico para Mandetta poderia ter sido o atendimento a indígenas. Ele cogitou a possibilidade de encerrar a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). No início do ano, disse que iria rever a política de saúde indígena, que classificou como “improvisada”. Com os protestos realizados por índios em vários pontos do país, o ministro desistiu da ideia.

 

Mandetta também manteve a compostura quando Bolsonaro sugeriu, em março, que os pais rasgassem as páginas da “Caderneta de saúde da adolescente”. Elaborada pelo Ministério da Saúde para meninas de 10 a 19 anos, a cartilha tem ilustrações com orientações, por exemplo, como usar a camisinha masculina. O material é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2008. Bolsonaro disse ter intenção de reeditá-la retirando informações que considera inadequadas para crianças.

 

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Em vez de polemizar, o ministro defendeu que a pasta poderia avaliar o conteúdo do material e adaptar a linguagem ou a distribuição.  E que o erro talvez estivesse na abordagem, e não necessariamente na cartilha.

 

O que já foi feito

Em balanço encaminhado à reportagem, o Ministério da Saúde destacou, entre as ações implementadas neste início de gestão, a ampliação da oferta de serviços, incluindo a extensão do horário de atendimento das Unidades Básicas de Saúde (UBS), anúncio feito pelo ministro no último dia 9. Também citou a ampliação da cobertura vacinal, a nova modalidade de compra de medicamentos no SUS e a criação de uma força-tarefa para analisar o atendimento e a gestão de hospitais federais.

 

Um dos pontos positivos da nova gestão foi estabelecer que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) que ampliarem o horário de atendimento vão receber mais recursos do governo federal. A ideia é ampliar o atendimento para 60 horas ou 75 horas semanais. As unidades trabalham em geral com turnos de 40 horas por semana. O ministério acredita que o novo modelo vai desafogar os atendimentos e Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24h) e emergências hospitalares.

 

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“Isso é positivo, ter um terceiro turno, fazer o atendimento até às 22h, na medida em que muitos usuários saem do trabalho depois das 18h”, diz o antropólogo Leonardo Carbonieri Campoy, professor assistente do curso de Ciências Sociais da PUCPR,. “É uma proposta boa, amplia acesso; é interessante. Mas a gente tem que ver todo o cenário de fortalecimento da atenção primária”, complementa Deivisson Vianna dos Santos, professor de saúde coletiva da UFPR e conselheiro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

 

Outra ação do ministério foi a criação de uma força-tarefa para analisar o atendimento e a gestão dos seis hospitais de gestão federais – alguns dos quais com várias reclamações de pacientes. O objetivo, segundo o ministério, é torná-los “mais ágeis, acessíveis e alinhado às boas práticas e aos padrões de qualidade e segurança dos pacientes.

 

Com isso, a pasta acredita que vai diminuir a espera por atendimento nas unidades de emergência, melhorar o tempo médio de internação, reduzir índices de infecção hospitalar, diminuir taxas de mortalidade e racionalizar o uso dos recursos. Grupos de oficiais da reserva vão coordenar, de modo centralizado, a compra de medicamentos. Segundo a pasta, a medida vai assegurar mais economia e evitar falta de remédios para a população.

 

O Ministério da Saúde também definiu que só vai pagar pelo remédio comprado pelo SUS se houver melhora do quadro de saúde do paciente. O medicamento Nusineren, para o tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME), pode ser o primeiro a ser incluído no SUS já com essa nova modalidade de compra. Hoje, o tratamento por paciente custa R$ 1,3 milhão por ano."

 

Fonte: Gazeta do povo

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