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O PIB de 2014 já era, a luta agora é para salvar o PIB de 2015. Click e leia no site do Tavinho

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De nada adiantará o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzir os juros em sua próxima reunião, de 2 e 3 de setembro. Apesar da pressão política que se avizinha, diante dos sinais claros de que o Brasil está em recessão, técnicos da instituição asseguram que um eventual corte da taxa básica (Selic) a curto prazo não terá qualquer efeito sobre o ritmo da atividade. Ou seja, não impedirá um resultado pífio do Produto Interno Bruto (PIB) no último ano de mandato da presidente Dilma Rousseff, que buscará à reeleição.

“O PIB deste ano já está dado. É verdade que ainda há tempo para salvar o resultado de 2015. Mas não há porque o BC agir de forma açodada”, diz um técnico graduado do banco. Para ele, não se pode esquecer que o país está às vésperas de uma eleição. “Qualquer movimento do Copom no sentido de reduzir juros antes de os brasileiros irem às urnas pode soar como eleitoreiro. Isso não combina com o tecnicismo que pauta as decisões da política monetária”, acrescenta.

A tendência, dizem fontes próximas à diretoria do BC, é de que o corte de juros, se vier, ocorra no encontro do Copom de 28 e 29 de outubro. Até lá já se saberá o nome do futuro presidente do Brasil e, espera-se, que ele indique os rumos da política econômica. “Para o Copom, é mais confortável agir depois das eleições, até porque já terá em mãos dados mais concretos sobre a inflação. Hoje, olhando apenas para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), seria imperativo o aumento dos juros. O BC não fez isso, porque a atividade está muito fraca”, ressalta uma das fontes.

SEM DESASTRE

Nas conversas que vêm mantendo com analistas do mercado e integrantes do governo, diretores do BC têm deixado claro que não veem nenhum desastre na economia. A desaceleração da atividade era esperada, diante do forte aumento da Selic desde abril do ano passado, de 7,25% para 11% anuais. Esse movimento, por sinal, contribuiu para que a inflação mensal perdesse força. A expectativa é de que o IPCA de julho fique entre 0,10% e 0,15%.

Os técnicos do BC reconhecem que o aperto monetário foi potencializado pela onda de pessimismo que tomou conta de empresários e consumidores. “Isso ajudou a minar, além do desejado, o PIB”, admite um deles. A perspectiva entre os auxiliares de Alexandre Tombini, contudo, é a de que, passadas as eleições, independentemente de quem seja o eleito para comandar o país a partir de 2015, a confiança voltará. “Não há como empresários e consumidores ficarem na retranca por tanto tempo. A vida segue. O Brasil não vai quebrar. Pelo contrário, as perspectivas são boas, a despeito dos ajustes que terão de ser feitos na economia, alguns, bem dolorosos”, complementa.