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O estado atual das pré candidaturas presidenciais

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O estado atual das pré candidaturas presidenciais

Esse pequeno texto pretende atualizar o quadro da disputa sucessória. Às vésperas do início do período das convenções partidárias que definirão candidaturas e alianças, os postulantes precisam ganhar musculatura política. A indefinição ainda é grande.

PT: o recente episódio "solta e prende" envolvendo Lula da Silva embute um forte indicativo dos comportamentos do PT e da Justiça nas próximas semanas. De um lado, as lideranças petistas insistirão até o limite na manutenção do nome do ex-presidente na cabeça de chapa. De outro, o Judiciário trabalhará para evitar que a condenação de Lula em segunda instância seja revertida. O PT, é óbvio, já tem um plano B, provavelmente o ex-prefeito Fernando Haddad. O partido acredita que, apoiado pelo popularíssimo nome de Lula, Haddad será competitivo na disputa.

Jair Bolsonaro: primeiro colocado nas pesquisas sem o nome de Lula, Bolsonaro ainda trabalha para consolidar sua candidatura. Para ele, é fundamental a construção de uma aliança sólida, o que explica as investidas sobre o PR do senador Magno Malta, seu potencial vice. Nem mesmo a presença do economista Paulo Guedes em seu time consegue dirimir as dúvidas sobre seu programa, em especial na área econômica, que pode se tornar o calcanhar de Aquiles do ex-capitão. Em suma, Bolsonaro ainda é uma incógnita.

Marina Silva: a pré-candidata da Rede tem um eleitorado cativo, que sempre se apresenta nas pesquisas de intenção de votos. Seu grande desafio é dar o salto e ampliar esse contingente de eleitores. Nesse ponto, começam seus problemas. Muitas vezes titubeante, com estrutura partidária precária e ausente dos debates em torno de alguns grandes temas nacionais, Marina desperta certa desconfiança. Mesmo a bandeira ambiental, seu principal ativo político, já foi capturada por outros candidatos. Para ter êxito na disputa, ela precisará endurecer seu discurso.

Ciro Gomes: o pedetista movimenta-se para consolidar seu nome entre os favoritos. É quase certo que o PSB feche com ele nos próximos dias e, do lado oposto do espectro ideológico, DEM e PP também cogitam fortemente de uma aliança. Dois obstáculos ainda seguem no caminho de Ciro Gomes - a resistência do empresariado, que não aceita muitos pontos das propostas do pré-candidato, e seu comportamento instável, que pode levá-lo a perder parcela importante do eleitorado.

Geraldo Alckmin: alguns fantasmas assombram e projetam dúvidas quanto ao futuro da candidatura do tucano. Com baixa penetração em vários setores do eleitorado, nomes próximos a ele investigados pela Justiça e a sombra de João Dória, até mesmo correligionários discutem se vale a pena apoiar o ex-governador. Alckmin ainda não está isolado, mas seu nome está longe de empolgar. O prazo, para ele, é curto. O PSDB não hesitará em rifá-lo caso necessário.

Henrique Meirelles: o ex-ministro da Fazenda segue sua pré-campanha pelo país. Seu objetivo imediato é tornar-se conhecido do grande eleitorado. Apresentando-se como candidato do governismo, ele usará a economia como carro-chefe. Sua situação, porém, é longe de confortável. O MDB, seu partido, deverá entrar sem alianças na disputa. Com índices nanicos de intenção de voto e pouco carisma, a candidatura Meirelles pode fazer água rapidamente. 

Álvaro Dias: apontado por alguns como uma alternativa da centro-direita, Álvaro Dias tem a seu favor uma vasta experiência política. Contra, uma estrutura partidária precária, reduzido tempo de propaganda eleitoral e um nome pouco conhecido nos rincões do país. De todo modo, ele vem realizando um trabalho de "formiguinha", avançando passo a passo em sua estratégia. Seu partido, o Podemos, caminha firmemente a seu lado nessa proposta.

Demais nomes: até o presente momento, os outros potenciais candidatos fazem apenas figuração. De um lado, o nome do "mercado", João Amoêdo, do Novo, não consegue ir além de seu nicho original. Do outro, Guilherme Boulos, do PSOL, padece do mesmo problema - apesar da empatia com o eleitorado de esquerda, ele não é visto como um candidato competitivo. Os outros postulantes, por sua vez, ainda não disseram a que vieram.

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