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Lula perderia a eleição de qualquer jeito. Sentimento anti-PT que dominou o país a partir de 2013 se consolidou em 2018

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Lula perderia a eleição de qualquer jeito. Sentimento anti-PT que dominou o país a partir de 2013 se consolidou em 2018

Mesmo antes de ser preso em abril deste ano, o ex-presidente Lula jamais conseguiu figurar com mais de 30% de intenções de votos em praticamente nenhuma rodada de pesquisas de opinião realizadas ao longo do último ano. Esta é a média da reserva histórica de eleitores simpatizantes da esquerda no Brasil.

Esta é exatamente a média de votos obtida pelo candidato escolhido pelo PT para substituir Lula na eleição presidencial, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. É possível especular que, na condição de presidiário, Lula poderia ter até mesmo menos votos que Haddad obteve no primeiro turno das eleições. O petista promoveu uma verdadeira cruzada jurídica para tentar colar sua candidatura, mas é provável que milhões de eleitores se recusassem a votar em um candidato encarcerado pelo simples receio de que o candidato não pudesse tomar posse, caso fosse eleito. Com Lula candidato, é possível ainda especular que o candidato do PDT, Ciro Gomes, teria mais votos que os obtidos na primeira fase do pleito.

De qualquer forma, o sentimento anti-petista que começou a se disseminar entre a população a partir das manifestações de junho de 2013 foi fortalecido pelo mega estelionato eleitoral praticado pelo PT com a eleição de Dilma em 2014. A aversão pelo partido comandado por Lula se aprofundou dramaticamente a partir da deflagração da Operação Lava Jato também naquele ano de 2014. O próprio Lula se tornou réu em várias ações penais no âmbito da investigação que culminou em sua prisão em abril deste ano, após confirmada sua condenação em 2.ª instância pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no caso do triplex do Guarujá.

Se por um lado, a esquerda brasileira conseguiu manter a média de 30% de votos entre o eleitorado, tais fatores eliminaram as margens de crescimento do PT para muito além desta média. Ao mesmo tempo, a Lava Jato também alcançou lideranças políticas de outros partidos. Nomes de prestígio no cenário nacional foram atingidos, ainda que de forma periférica, por escândalos de corrupção envolvendo seus correligionários.

O deputado Jair Bolsonaro foi o que mais se beneficiou deste cenário que começou a se desenhar há mais de cinco anos. Ativo nas redes sociais, o capitão do Exército soube surfar a onda do anti-petismo, do entusiasmo da sociedade com a Lava Jato, a revolução nas formas de combate à corrupção, entre outras pautas fortemente associadas ao PT e aos demais partidos. Mas estes não foram os únicos fatores que catapultaram o deputado para a condição de favorito nestas eleições. Além de se cacifar entre os intervencionistas, milhões de cidadãos que passaram a defender da volta do regime militar após as manifestações de junho de 2013. Bolsonaro também soube explorar a insatisfação popular com o aumento da violência e da criminalidade. Tais trunfos se sobrepõem aos índices de rejeição registrados recentemente pelos institutos de pesquisa contra o político. A votação expressiva no 1.º turno, mesmo diante de 13 adversários, comprova que Bolsonaro foi o político que melhor soube captar os sentimentos que passaram a prevalecer entre a população a partir do fenômeno das manifestações de junho de 2013. Isto sem contar o fenômeno da onda conservadora que varreu o mundo no mesmo período.

Diante deste breve retrospecto, é perfeitamente possível afirmar que o ex-presidente Lula dificilmente venceria a eleição deste ano. Preso ou em liberdade, Lula não teria como se desvencilhar das acusações que pesam contra ele. O ex-presidente e setores da esquerda, estão historicamente associados a pautas rejeitadas pela maior parte da sociedade, como as relações com países comandados por ditadores, a tolerância com a corrupção, a parcimônia com o combate ao crime organizado, a defesa da descriminalização do uso de drogas, aborto e outras questões vistas como ameças aos conceitos de família, direito a propriedade e liberdade de mercado. Não é por acaso que vários representantes da esquerda não conseguiram se eleger ou se reeleger nas eleições de outubro, a exemplo da ex-presidente Dilma Rousseff, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel e o senador Lindbergh Farias, em redutos históricos de votos do PT.

A possibilidade de fraude nas urnas é outro sentimento associado ao PT que tomou conta da população nos últimos anos. Por mais talentoso que seja em cima de um palanque, Lula já não conseguia mais reunir multidões antes de sua prisão em abril. O petista chegou a protagonizar espetáculos deprimentes em caravanas pelo Brasil. Caso pudesse disputar as eleições, não teria chances de reverter tantos pontos negativos que pesam contra ele e seus apoiadores. Ficaria com os mesmos 30% de Haddad e poderia registra aumento tímido em um eventual 2.º turno. Mais por conta da rejeição ao nome de Bolsonaro que por mérito. Ainda assim, é quase certo que seria derrotado ao final.