Livro retrata os efeitos da desigualdade social no Brasil durante uma década. Confira!

Devido à ausência do Estado nos rincões do País, Brasil não rompeu a tragédia da educação.

Livro retrata os efeitos da desigualdade social no Brasil durante uma década. Confira!

Em fevereiro de 2005, vi uma foto na Folha de S.Paulo em que o presidente Lula estava em frente a crianças pobres, na cidade de Toritama, perto de Caruaru, em Pernambuco. A imagem me mobilizou e decidi ver de perto quem eram aquelas crianças e como viviam.

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Capa do livro do senador Cristovam Buarque

Foram dias de conversas e anotações. Na volta, escrevi uma carta ao presidente Lula, com o título "Estas crianças têm nome, senhor presidente". Além dos nomes, descrevi como viviam, a escola onde estudavam.

E alertei: "o senhor ainda não é o culpado da situação, mas será se daqui a dez anos a vida dessas crianças continuar igual". Fiz também o roteiro de um plano para que as crianças do Brasil saíssem da tragédia social, por meio de uma educação de qualidade.

Passaram dez anos e, em 2015, voltei a Toritama. Reencontrei as mesmas crianças. Foi trágico e ultrajante. A pequena Taciana, que aparecia na foto de 2005 com Lula e que motivou a minha viagem ao agreste pernambucano, já tinha um filho de um ano, chamado Ângelo.

Era a continuidade do círculo vicioso, devido à ausência do Estado. Uma década depois, todas as crianças eram analfabetas funcionais. Uma delas foi assassinada, outra escapou do reformatório e estava desaparecida.

A foto de 2005 que revelo no livro Retrato de uma década perdida também serviu para que eu alertasse a presidente Dilma Rousseff. O Brasil não rompeu a tragédia da educação.

A maneira como tratamos as Tacianas entre 2005 e 2015 trouxe desilusão. Mas ainda podemos cuidar dos Ângelos nas próximas décadas. Isso nos traz esperança.

*Este artigo é de autoria de colaboradores ou articulistas do HuffPost Brasil e não representa ideias ou opiniões do veículo. Mundialmente, o HuffPost oferece espaço para vozes diversas da esfera pública, garantindo assim a pluralidade do debate na sociedade.

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