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Jesus foi “refugiado”? Até onde se sustenta a fake news de Bernardo Franco contra Bolsonaro?

O jornalista d'O Globo Bernardo Mello Franco afirmou que Jesus Cristo foi um "refugiado" em discussão com Bolsonaro no Roda Viva. Fizemos o fact-checking: pura fake news.

Jesus foi “refugiado”? Até onde se sustenta a fake news de Bernardo Franco contra Bolsonaro?

O jornalista Bernardo Mello Franco, d’O Globo, foi para o Roda Viva não seguindo a função de jornalista: de fazer perguntas a um candidato à presidência (e aquele que está em primeiro até em pesquisas que sempre erram para o lado esquerdo) buscando entender seu possível plano de governo, e sim assassinar a reputação de Bolsonaro, inclusive – e sobretudo – com o uso de fake news. A sua última intervenção foi memorável: afiançou que Jesus Cristo havia sido um “refugiado”. Até onde isto se sustenta?

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Um sofista, como eram chamados pensadores como Protágoras, Górgias ou Hípias, eram pessoas de pensamento extremamente influente – muito como os intelectuais orgânicos de hoje – e também de palavras rebuscadas. O resquício moderno de seu legado, a palavra sofisticado, dá conta de mostrar como pensavam.

Seu método, afinal, era muito próximo a de um advogado sem escrúpulos: um abuso da retórica para causar uma impressão com palavras elevadas, mas, via de regra, quase invertendo seu significado canônico. Sócrates se volta contra os sofistas, até mesmo com certa simplicidade e ingenuidade fingida, justamente para atingir alguma substância e delimitar conceitos claros, que possam nos aproximar da verdade. Era o surgimento da filosofia, o amor ao saber, ainda que termos como sofista filósofo tenham demorado a se separar, mesmo na obra platônica.

Bernardo Mello Franco, ao entrevistar Jair Bolsonaro, apenas jogou a palavra “refugiado” sem uma definição adequada ao deputado, o único presidenciável a declarar ser favorável a uma política migratória mais estrita do que o modelo open borders forçado via entidades não-eleitas como a ONU. Como se Jesus fosse “refugiado” no sentido moderno do termo.

É a típica “lacrada” da internet: uma frase de efeito, o mais das vezes desprovida de substância e com uma palavra forte e da moda, como “refugiado”, que nunca é questionada. Uma aparência de vitória. Bem mais próxima de Protágoras e seu “o homem era a medida de todas as coisas” do que de Sócrates e suas longas perguntas sobre o que é um homem – ou um refugiado.

Jesus nasceu durante uma viagem de seus pais para o recenseamento proposto por Herodes. Graças a isso, acabou nascendo em Belém, ao invés da terra natal de Maria, que era Nazaré. José, que era da linhagem de David de Belém, precisou realizar o censo naquele povoado. Seria de uma esquisitice atroz supor que “refugiados” modernos são contados pelo censo exatamente de onde nascem.

 

 

Flavio Morgenstern@flaviomorgen

Jesus nasceu numa viagem em Belém ao invés da terra natal de seus pais, Nazaré, porque eles foram responder ao censo. Você já ouviu falar de REFUGIADO que é contado no censo de Herodes? Bom, o Bernardo Mello do Globo usou pra dar aquela lacrada que ninguém questiona.