Portal mídia livre 15 anos

Arco Metropolitano, que financiou esquema criminoso, sofre com violência e progresso fica só na promessa ., Click e leia mais

O prometido “caminho para o futuro” alardeado pelas autoridades não chegou.

Arco Metropolitano, que financiou esquema criminoso, sofre com violência e progresso fica só na promessa  ., Click e leia mais

Com custo de R$ 1,9 bilhão (o dobro do previsto), o Arco Metropolitano foi inaugurado há mais de dois anos, e, até hoje, não atraiu o progresso esperado. Para piorar, a rodovia foi citada no esquema de propinas em obras públicas descoberto pela Operação Calicute, que acabou com a prisão do ex-governador Sérgio Cabral. Além da via, o PAC das Favelas e a reforma do Maracanã estão na mira da investigação, que suspeita de desvios de R$ 224 milhões.

Com a promessa de atrair empresas, os 71,2 quilômetros do Arco Metropolitano, que ligam Caxias a Itaguaí, foram construídos numa pareceria dos governos federal e estadual. O futuro, porém, pisou no freio. Dos 30 mil carros esperados por dia, apenas 15 mil atravessam a rodovia, segundo a Secretaria estadual de Obras. As margens continuam desabitadas, salvo alguns casebres. Até os postes com placas de energia solar — que custaram R$ 22 mil cada — precisam de manutenção.

— Passo no Arco Metropolitano duas vezes por semana. A via é muito boa, mas não é tão utilizada como eu achei que seria. Não tem uma lanchonete ou um lugar para os motoristas pararem para comprar um café. É deserto, as lâmpadas às vezes estão quebradas e fica muito perigoso à noite — conta o caminhoneiro Hudson Muniz, de 33 anos.

“Fica muito perigoso à noite”, conta o caminhoneiro Hudson Muniz
“Fica muito perigoso à noite”, conta o caminhoneiro Hudson Muniz Foto: Marcelo Theobald/Extra

O EXTRA atravessou o Arco no último dia 18, no dia seguinte à prisão de Cabral. O movimento de carros cai significativamente após Nova Iguaçu e continua baixo até o Porto de Itaguaí. Segundo policiais militares da área, é neste trecho que acontecem os assaltos. O Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) informou que viaturas fazem uma média de oito operações diárias na via.

Propina de 5% para o ex-governador

O Arco Metropolitano é citado nas delações premiadas de executivos das construtoras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF) do Rio, os delatores contaram como o processo de licitação da obra foi fraudado e que houve cobrança de propina de 5% para Sérgio Cabral.

Segundo o parecer do MPF, Rogério Nora, então presidente da Andrade Gutierrez, disse que o processo foi liderado pelo ex-secretário de Governo Wilson Carlos e pelo ex-secretário de Obras Hudson Braga. Os dois estão presos. Mesmo com tudo acertado, a construtora deixou o consórcio. Já Roberto José Teixeira Gonçalves, ex-diretor da Carioca, afirmou que, após o início das obras, foi informado do pagamento da “taxa de oxigênio” (nome para propina), no valor de 1%, a pedido de Braga.

“Não veio fábrica e não foram criados empregos”, diz o aposentado Floriano Pereira
“Não veio fábrica e não foram criados empregos”, diz o aposentado Floriano Pereira Foto: Marcelo Theobald/Extra

Governo deve criar atrativos para empresas

Na época da inauguração do Arco Metropolitano, a Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) previu que a rodovia iria alavancar o PIB estadual em R$ 1,8 bilhão. Segundo o economista da instituição Riley Rodrigues, a via ainda não virou um polo econômico.

— O potencial de geração de desenvolvimento do Arco não é a rodovia, mas a ocupação de seu entorno, que depende de ações do governo. Elas ainda precisam ser realizadas para que ele se torne um grande polo econômico — diz.

Para Istvan Kasznar, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas, uma opção para movimentar o Arco é criar infraestrutura:

— Um shopping ou supermercado poderia atrair empresas. A importância da obra foi magnificada. Caíram na real e precisam criar atrativos para desenvolver a via.




Mais Notícias

 Governo que acabar com parques nacionais maiores que a cidade de São Paulo. Confira
Governo que acabar com parques nacionais maiores que a cidade de São Paulo. Confira

Câmara vota redução de parques nacionais em área equivalente ao dobro da cidade de São Paulo. Governo quer transformar áreas de preservação ambiental em passagem para ferrovias de regiões para exploração de madeira, agropecuária e minérios