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'É preciso acolhê-las': O que o caso de Janaúba nos lembra sobre o luto infantil. Confira!

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'É preciso acolhê-las': O que o caso de Janaúba nos lembra sobre o luto infantil. Confira!

Pedro Lucas Dias tem apenas dois anos e cinco meses de idade. O pequeno ainda está aprendendo a falar, mas, entre as poucas palavras que conhece, existe uma que ganhou um significado assustador: fogo. "Ele fica falando que não quer ir para a escola, porque lá tem fogo", conta Amanda Carolina Dias, mãe do garoto, em entrevista ao Estadão.

Pedro foi um dos sobreviventes da tragédia de Janaúba, no interior de Minas Gerais. O segurança do Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente ateou fogo em alunos e em si mesmo no último dia 5 de outubro. No momento da tragédia, 75 crianças e 17 funcionários estavam no local. Ao todo, o ataque deixou 11 vítimas: nove crianças, a professora Helley Batista e o próprio vigia.

As crianças que vivenciaram a tragédia, como Pedro, ainda estão em recuperação física e psíquica. De acordo com a mãe do pequeno, ele conta que viu uma das coleguinhas com os braços pegando fogo e desde então não consegue esquecer a cena.

Para Iolete Ribeiro da Silva, representante do Conselho Federal de Psicologia, "elaborar o sofrimento" é parte fundamental do processo de luto, tanto para crianças quanto para adultos:

A gente não deve obrigar as crianças a falarem sobre isso, mas na medida em que elas trazem o assunto, é preciso acolhê-las e ajudá-las a elaborar esse sofrimento que vivenciaram.

"A reação imediata das pessoas é não querer falar sobre um assunto que causa sofrimento. Elas preferem deixar o assunto passar. A gente não deve obrigar as crianças a falarem sobre isso, mas na medida em que elas trazem o assunto, é preciso acolhê-las e ajudá-las a elaborar esse sofrimento que vivenciaram", explica. "Com o tempo elas vão atribuindo o significado à essas experiências e podem lembrar dos bons momentos, das coisas boas que elas viveram ali naquele espaço e com aquelas pessoas", completa em entrevista ao HuffPost Brasil.

Para Silva, em momentos como esse é importante que pais e familiares estejam presentes e juntos à essas crianças, no sentido de ouvir e de se ajudarem mutuamente. A psicóloga, ainda, chama atenção para a importância dos adultos demonstrarem "humanidade" após eventos traumáticos.

"É importante em alguma medida que os pais que sofreram, que viveram isso, pensem sobre o ocorrido e elaborem esse sentimento. É importante que os adultos demonstrem que eles sofrem, que eles também tem fragilidades. Isso ajuda na formação da criança. O adulto tem que se mostrar humano", explica a profissional.

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