24/10/2009 20:07 - VIRGOLINO PAZ E AMOR
Paz e amor.
José Virgolino de Alencar
Quando a pessoa pública, e mesmo a apenas quase pública como eu, de tanto se envolver em polêmicas e discussões, de tanto combater os que lhe são contrários e de tanto ser anatematizado como grosso e carrancudo, se dá conta de que está próximo a conseguir a unanimidade contra, e aí de repente se toca, faz uma reflexão, lembra da recomendação bíblica de que deve conviver bem e amar os irmãos com a sua diversidade natural, começando, então, um processo de mudança de postura, sem mudar de personalidade, sem mudar de ideologia como os políticos mudam de partido, mas tentando mudar para melhor, visando ser melhor aceito pela comunidade a que pertence.
Nosso presidente Lula é um bom exemplo dessa circunstância. Opositor que amedrontava as elites pela cara fechada, pela carranca, tentou, mantendo essa postura, três vezes a candidatura a presidente e não venceu. Tudo indica que fez uma revisão na sua imagem, foi mudando paulatinamente, ao ponto dos marqueteiros criarem a figura/slogan de “Lulinha, paz e amor”.
Passando a adotar um bem manejado jogo de cintura, a se entender com o que antes ele antipatizava e era antipatizado, tornou-se cordato, maleou o debate, e, nesse prisma, deu um banho na quarta eleição, vencendo com margem expressiva e chegando ao que ele perseguiu na vida com tenacidade e que não lhe chegara antes devido à carranquice.
Mantendo a postura cordial, o diálogo em maior amplitude, foi reeleito facilmente e conserva no governo um apoio em níveis que nem ele e nem seu partido esperavam. Convivendo com a outrora combatida FIESP, com a CNI, com a CNT, com a FEBRABAN, para citar as mais fortes corporações do país, Lula permanece como o maior cabo eleitoral do Brasil atual.
Outro exemplo, é a ministra Dilma Roussef. Tida como durona, inflexível, forte no comando, passou a ser considerada antipática, ao ponto de prejudicar sua imagem de candidata. Mas, já está começando o movimento de “Dilma, paz e amor”, com ela maneirando o tom nas entrevistas e nas respostas a perguntas ácidas. Por aí, e pelo forte esquema que tem como base de apoio, Dilma pode, para a oposição, ser um osso duro de roer.
Há muitos mais exemplos de virada de postura comportamental que fizeram das pessoas, artistas, jogadores de futebol, escritores, jornalistas, clérigos, enfim, um leque significativo de seres humanos, ídolos da simpatia e da empatia.
Observando e lembrando desses casos, e como venho adotando nos últimos tempos uma reação muitas vezes destemperada, justificada pela situação calamitosa que vive o Brasil político, mas de certo modo de pouca utilidade para a minha própria vida e que pode ser considerada também como atitude na contra-mão da realidade que vive o mundo, por tudo isso, acho que faço bem em arrefecer o ânimo crítico, situando-o na observação dos fatos sem passionalismos, sem comprometimentos.
Sozinho, gritando, esperneando, criticando, enquanto os alvos de minha crítica cada vez mais estão se dando bem, vivendo bem, sem se incomodarem com o combate, chego à conclusão de que, como não vou salvar o mundo, a crítica e o combate devem caminhar por uma via mais realista, mais pragmática, simplesmente porque o mundo e não só o Brasil está palmilhando por uma estrada, como que cercada de doces frutas, onde o caminheiro vivaz vai colhendo e comendo as frutas, engordando, cantando, e a cada passo torna-se mais volumoso, tanto o volume físico, como o volume econômico. É assim o mundo, e se o Criador não consegue mudar, não sou eu que vou fazer um mundo novo.
Assim, sem renunciar ao direito cidadão de apontar os erros, de condenar a corrupção, de não compactuar com a bandalheira, acho que não preciso ser intolerante, cáustico, carregar nas tintas dos comentários e críticas, bastando dar o recado, com seriedade, manter a consciência limpa, dormir sem sobressalto e não ter pesadelos.
Está, então, lançado o meu slogan particular: “Virgolino, paz e amor”.






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