22/03/2009 15:31 - A SORVETERIA FLOR DE ANAHÍ

A sorveteria Flor de Anahí e Dino Leite

 

Hoje vou falar sobre meu primo e amigo Geraldo Leite de Azevedo (Dino Leite), e sua sorveteria Flor de Anahí.

Assisti sua inauguração, inicialmente tinha como sócio seu irmão Zé Leite, dizem que Zé Leite era o dono e Dino apenas laranja depois Dino ficou sozinho com o controle acionário da empresa.

Já que não interessava mais a Zé Leite tendo em vista o lucro ser bastante pequeno para dividir em dois.

Voltando a inauguração no ano de 1963 onde foi um dos maiores acontecimento da época, presente varia autoridades locais entre eles o Padre Manoel Otaviano que alem de benzer o ambiente como sacerdote, fez um discurso e em seguida recitando uma poesia- ¨ Anahí
As arpas sentidas soluçam arpejos
Que são para ti
Anahí
Teus acordes lembram a imensa bravura
Da raça tupi
Anahí
Índia flor agreste da voz tão suave
Como Aguaí
Anahí, Anahí
Teu vulto no campo difere entre as flores
Pela cor rubi
Defendendo a vida
Tua valente tribo, foste prisioneira
Condenada à morte
Já estava teu corpo envolto à fogueira
E enquanto as chamas estavam queimando
Numa flor tão linda se foi transformando
Os teus inimigos fugiram dali
As aves ficaram cantando o milagre
Da Flor de Anahí ¨

 

Depois da solene festa, começa a funcionar a sorveteria Flor de Anahí, que apesar do nome nunca se viu vendendo um sorvete, daí não se entender porque esse nome sorveteria. Era um ambiente requintado para a época totalmente elitizado só freqüentava a Flor de Anahí, a alta sociedade Piancoense, um ambiente luxuoso para a época com mesas e cadeiras da moda toda em azulejos brancos o primeiro balcão frigorífico a ser colocado em um ambiente em Piancó em fim um bar pode se dizer bastante requintado para época por lá no inicio vi freqüentar varias pessoas a exemplo de Djalma Leite,Joval Mendonça, Bira Remigio, João Remigio, Assis Remigio, Lula Remigio,  Clodoaldo Brasilino,(cocó), João Cavalcante, Assis Clementino, Conrado Jerônimo, Ademar Teotônio, Antonio Quinho, Zezinho Farias, Pedro Farias, José Bráulio, Judivan  Cabral, Expedito Cavalcante, Manoel Cavalcante, Chico Porto, Antonio Leite Montenegro, Joval Mendonça, Jomar Mendonça, Adalberto Lopes, Eliezer Diniz,  Bianor Farias, Ângelo Leite, José Leite, Antonio Leite(toinho Leite), Eurides Liberalino, Zezé Macena, José Barros, Djalma Ângelo, Napoleão Ângelo, Benjamin Ângelo, José Basílio, Vavá Bento, Miguilinho, Chico Bento, logicamente esqueci algumas pessoas a mais que freqüentavam aquele ambiente a principio eram essas pessoas vindo depois seus filhos.

 

Vem a segunda fase da sorveteria Flor de Anahí, onde passaram a freqüenta-la que eu me lebre as seguintes pessoas Carlos Telesforo, Antonio Eugenio de Farias, Assuerio Xavier, Neném de Fandinga, Valdemar Barros, Antonio Gomes, Alcides Gomes, Zé Gomes, Brunet, Gil Cotoco, Humberto Bento de Farias, Chico Diniz, Antonio Freires, Zé Pinto, Zezito de Zezé,  zezito Clementino, Zelito Clementino, Deuslirio Pires de Lacerda, zenildo leite, Valdeberto Virgolino, Tarcisio Brasilino, Franciraldo Loureirio, Lautonio Loureiro,no momento,  como se ver não foi citado nome de moças e mulheres casadas, pois não era comum a freqüência delas nessa época, já que existia ainda uma descriminação com relação as mulheres nas décadas do auge da Flor de Anahí. O que se sabe é que  era bastante divertido paquerar enquanto as moças passavam em frente  a sorveteria dando volta  na praça Salviano Leite, existia também a escola normal Santo Antonio onde um ou dois dias por semana as freiras que dirigiam aquele estabelecimento de ensino levavam as moças que moravam em outros municípios  para passear na  já citada praça, isso fazia com que aumentava o fluxo de jovens rapazes como se diz na gíria tomando uma cervejinha na Flor de Anahí, tentando aparecer, a fim de uma conquista as vazes com sucesso. Como podemos citar como exemplo Elicenia que estudou e se formou professora chegando a casar com um Piancoense Ângelo Leite, e constituindo uma família em Piancó para nunca mais sair de lá.

 

Existia na Flor de anahí, naquela época um verdadeiro Apartheid ("vida separada") é uma palavra de origem africana, adotada legalmente em 1948 na África do Sul para designar um regime segundo o qual os brancos detinham o poder e os povos restantes eram obrigados a viver separados dos brancos, de acordo com regras que os impediam de ser verdadeiros cidadãos. Este regime foi abolido por Frederik de Klerk em 1990 e, finalmente em 1994 eleições livres foram realizadas.

Claro que a Apartheid a que me refiro não é igual ao da África do Sul, mais tinha sua semelhança, já que raramente se via pessoas de classe menos favorecidas freqüentando a Flor de Anhai.

 

     

Uma coisa  que chamava a atenção na parede contrastando com o luxuoso ambiente, era uma placa de propaganda  vermelha com os seguintes dizeres-¨A ELETRÔNICA DE ULISSES VENTURA, CONCERTA-SE RADIO RADIOLAS ETC. AV. MASCARENHAS DE MORAIS S/N ¨.

 

Foram quase trinta anos de glamour. Onde de tudo aconteceu, entre tapas e beijos até as presepadas pelo protagonista maior da Flor de Anahí que era Dino Leite.

 

Do qual vou me reportar agora contando algumas das suas peripécias com seus consumidores.

 

Dino era bastante extrovertido, porem até que seus filhos o crescessem como já falei anteriormente cuidava do balcão, das mesas tinha um bom papo, e uma boa caneta bastante afiada para salgar as contas dos clientes que bebiam e perdiam a noção do perigo na hora da conta também tinha muito  fiado pois confiava nos clientes principalmente os mais ricos que por lá andavam, Dino também bebia, e quando isso acontecia perdia a noção do tempo e das contas dos clientes. Chegando inclusive a ter certos enganos.

 

 

Contam que em um determinado carnaval, ele também resolveu ao invés de trabalhar fazer os dois brincar bebendo e trabalhar colhendo, só que numa dessas amnésias alcoólicas, ele perdeu a noção do tempo e de quem bebeu no carnaval na Flor de Anahí, na quarta feira de cinzas, mandou as contas para as casas das pessoas que freqüentaram seu bar naquele carnaval tinha uma caligrafia impecável,

So que por azar mandou uma conta para a casa do Dr. Djalma leite com uma despesa bastante salgada, e recebeu a seguinte resposta do Dr. Djalma enviada pelo portador cobrador-¨diga a Dino que eu não bebi nesse carnaval eu estava doente¨, ou seja usou a base do se colar colou.

 

A Flor de Anahí, não tinha cozinha consequentemente, não existia tira gosto, uma vez a pedido dos clientes, ele inventou de colocar uma cozinha e chamou Chiquinho do crente como cozinheiro, foi um verdadeiro desastre gastronômico, pois no dia da estréia de Chiquinho como cozinheiro Dino inventou de comprar umas sovelas (trairás pequenas) e mandou Chiquinho preparar caso alguém pedisse tira gosto eu mesmo participei desse  do dia em que veio um prato insuportável com esses peixes que alem de ruim estavam simplesmente mal feito. Daí o projeto da Flor de Anahí ter tira gosto só demorou um dia.

 

Depois contam que com sua esperteza ele falsificava até água de coco, pegava os restos de cerveja que sobravam nas garras, não nos copos enchia novamente e vendia aos seus clientes. Dizem que uma vez ele trousse uma cerveja desse tipo para um rapaz, e ao abrir a cerveja fez com a boca tssssssssss, esse é o som de quando se abre uma cerveja e escapa o gás.

 

O tempo passa, começa o avanço da tecnologia e o modernismo começa a chegar em Piancó. Tipo , televisão, e as pessoas começam a ficarem em casa assistindo lógico novelas jornais etc, com isso começa a cair o movimento da Flor de Anahí, sem contar em outros bares aparecendo tipo céu, Marieta, etc.

 

Aí, vem a decadência da Flor de Anahí, que não agüentando mais a concorrência, e o modernismo dos demais ambientes da mesma categoria fecha para tristeza total de uma geração que viveu intensamente o romantismo da Flor de Anahí.

 

Bom o que eu falei de Dino Leite, pode ser mais um relato folclórico de uma invencionice irreverente,mais que ele  ainda esta vivo graças a Deus e foi testemunho de todo esse tempo, isso foi.

 

Para encerrar gostaria de contar um fato acontecido comigo e Dino em João Pessoa.

 

Certa vez eu inventei de botar um bar, por lá passavam varias pessoas de Piancó quase uma comunidade de amigos me prestigiava com suas presenças. Certo dia estava o Dr. Deputado Judivan Cabral e uma turma grande cercando ele, entre os presentes, Lula Cabral seu fiel escudeiro. De repente chega Dino Leite baduzinho seu genro, e outros amigos, começamos a conversar, e em determinado momento Dino me chama em particular e diz: Peninha, era assim que ele me chamava, coloca garrafa seca debaixo da mesa do Doutor, era assim que eu fazia quando ele bebia na Flor de Anahí.

 

Era essa um pouco da historia da Flor de Anahí, e um pouco do meu Primo Dino Leite hoje aposentado e gozando de boa saúde graças a Deus.

 


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